quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Baixos salários, “bicos” e desrespeitos à profissão de professor
PDF Imprimir E-mail
Recente estudo de professores da Universidade de São Paulo - USP, com base na Pesquisa por Amostragem de Domicílios (Pnad/IBGE-2009), revelou que cerca de 10% dos/as docentes brasileiros/as da educação básica complementam suas rendas com atividades desempenhadas fora do magistério, sobretudo através de vendas de cosméticos.
Para quem vive o dia a dia das escolas públicas, os resultados da pesquisa surpreendem mais pelo baixo percentual de quem pratica outras ocupações do que em razão de os/as professores/as terem que complementar, de fato, os baixos salários a que estão submetidos na maior parte do país.
Outro dado relevante sobre a complementaridade da renda familiar da categoria do magistério pode ser extraído do Censo do Professor (MEC/INEP-2009). O estudo indica que, pelo menos, 1/3 (um terço) do professorado da educação básica pública desempenha dupla ou tripla jornada de trabalho na profissão. Ou seja: a renda é reforçada por meio do principal instrumento de trabalho, porém de forma que compromete a saúde do/a educador/a e a própria qualidade do ensino.
A recorrente economia de recursos do Estado, que concedeu ao magistério a possibilidade de possuir mais de um vínculo empregatício no setor público e que exime os gestores de investir na formação inicial e continuada e nas condições de trabalho da categoria, cada vez mais colide com a perspectiva de melhorar a qualidade da educação. Pior: ao invés de reverter essa realidade, as administrações públicas - paradoxalmente e com o apoio da parcela da mídia subserviente - investe na responsabilização dos/as educadores/as pela baixa qualidade dos sistemas de ensino, cuja gestão, em sua maioria, não permite a participação da comunidade escolar nos processos de formulação, aplicação e verificação das políticas públicas.
Por óbvio que os problemas inerentes à qualificação profissional do magistério não se restringem ao salário. Mas esse, conjugado com a expectativa de carreira e de valorização social da profissão, é o maior deles. Corroborando essa tese, o diagnóstico da meta 17 do Plano Nacional de Educação, que trata da remuneração do magistério, revela que o/a professor/a com formação de nível médio (curso de magistério) detém renda média 38% acima dos demais trabalhadores brasileiros com escolaridade similar. Contudo, essa relação se inverte, na mesma proporção, quando o/a professor/a com formação de nível superior (maioria no Brasil) tem sua renda comparada com os demais trabalhadores de formação universitária. E isso é um fator de desestímulo à qualificação, ainda mais quando o próprio professor precisa arcar com o ônus financeiro de sua formação ou quando não dispõe de concessão de tempo pelos gestores para fazê-la adequadamente.
Para a CNTE, o piso nacional do magistério - vinculado à carreira - representa um primeiro passo na direção da equidade laboral dos/as educadores/as no país, condição fundamental para elevar a qualidade da educação com equidade. Mas muitos governadores e prefeitos - e, agora, até a justiça de um Estado, o Pará, em confronto com a decisão do Supremo Tribunal Federal - insistem em não observar a norma federal que também prevê jornada de trabalho para o/a professor/a com tempo dedicado às atividades extra-sala de aula (preparação e correção de atividades, reuniões pedagógicas e com os pais, formação no local de trabalho, dentre outras).
Outras questões afetam à qualidade da educação e que desestimulam o ingresso da juventude na profissão, ou que afastam, por doença ou desestímulo, os atuais professores das redes de ensino, consistem nas defasagens da formação inicial (sob responsabilidade majoritária de faculdades privadas, ou provida em cursos à distância), na falta de qualificação permanente ofertada pelo Estado, nas jornadas de trabalho incompatíveis com a profissão, nas deficientes formas de contratação no serviço público e nas precárias condições de trabalho e de vida oferecidas aos profissionais - em sua maioria mulheres, o que denota discriminação de gênero nesse setor de atividade profissional. E, sem que esses pontos sejam devidamente contornados, pouco se avançará na valorização do magistério e dos demais profissionais da educação e na melhoria da qualidade do ensino público.

Retirado de: http://www.cnte.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=9240:baixos-salarios-bicos-e-desrespeitos-a-profissao-de-professor&catid=423:cnte-informa-598-09-de-novembro-de-2011&Itemid=200319

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Quem AINDA quer ser PROFESSOR?

João Valdir Alves de Souza* 

Há fortes evidências, nos dias atuais, de que a profissão docente vive uma crise sem precedentes na história do nosso ensino. A despeito da grande diversidade de condições da oferta e demanda por escolarização, tanto no que se refere à condição docente quanto à condição discente, produto da diferenciação sociocultural e das desigualdades socioeconômicas, essa crise atravessa a estrutura da escola de alto a baixo.
Ela combina ingredientes de natureza muito diversa, mas o elemento-chave da sua explicação é o baixo valor do diploma de professor, sobretudo na educação básica, tanto no mercado de bens econômicos (salário) quanto no mercado de bens simbólicos (prestígio). Esse baixo valor do diploma expressa um terrível paradoxo: quanto mais expandimos a oferta do ensino, maior se revela nossa dificuldade de formar professores para atendê-la.
Estamos pagando o preço caro de uma conquista. Desde o século 18, na Europa, e pelo menos desde o final do século 19, no Brasil, reivindica-se educação como direito do cidadão e dever do Estado. Pois bem, todos – ou quase todos – vieram para a escola. Vieram os camponeses, os das periferias urbanas, os indígenas, os deficientes físicos e, inclusive, os que não querem saber de escola. Vieram por direito, resultado de lutas históricas pela sua inclusão nos sistemas de ensino. Mas, como não há milagres em matéria de educação e ensino, isso também exigiria formar em quantidade e qualidade os professores que dariam conta dessa tarefa em condições que obedecessem a patamares mínimos de decência.
O Brasil universalizou recentemente o ensino fundamental e trabalha arduamente para universalizar, até 2016, a educação infantil e o ensino médio, cujo atendimento está na casa de míseros 50%. Não bastasse a escassez de professores para a demanda atual, que o MEC já contabiliza na casa dos 250 mil, sobretudo para o ensino das ciências, universalizar a educação básica implica a necessidade de formar mais e bem os professores para realizar a tarefa. Essa legítima proposta do Plano Nacional de Educação esbarra, contudo, em problemas cuja gravidade nos deixa poucas expectativas para sua realização.
O elemento-chave da sua explicação é o baixo valor do diploma de professor, sobretudo na educação
básica, tanto no mercado de bens econômicos (salário) quanto no mercado de bens simbólicos (prestígio)
Um desses problemas é a baixa atratividade da carreira docente, com recrutamento dos estudantes dos cursos de licenciatura justamente entre aqueles de escolarização básica mais precária. Indicador preocupante dessa baixa atratividade está expresso na relação candidato/vaga dos últimos 13 vestibulares da UFMG (2000-2012), o que parece estar longe de ser uma situação exclusiva desta Universidade. Em 2000, dos 17 cursos mais concorridos, seis formavam professores. Para o vestibular 2012, não há um único curso de licenciatura entre os 15 mais concorridos. Mantida a atual tendência, em três ou cinco anos não teremos candidatos aos cursos de licenciatura. Cursos como Ciências Biológicas, Educação Física, Geografia, História, Letras, Matemática e Pedagogia, que eram disputados numa correlação de 12 a 30 candidatos por vaga, há dez anos, para 2012 contarão, respectivamente, com 3,5; 2,1; 1,6; 4,8; 1,4; 2,9 e 3,0 candidatos para cada vaga. Mesmo considerando que houve aumento do número de vagas em alguns deles, redução da concorrência em outros cursos que não os de licenciatura e que caiu de 18 para 9 a média geral da relação candidato/vaga na universidade, a generalizada queda da concorrência nos cursos de licenciatura é forte evidência de que há pouco interesse pela docência atualmente.
Mas isso é apenas parte do problema. Um segundo elemento a ser considerado é o elevado índice de desistência da profissão. Grande número dos que se formam professores não terão as salas de aula como destino ocupacional. A universidade fez elevado investimento, nas duas últimas décadas, criando cursos exclusivamente de licenciatura, em que a escolha precede o vestibular. Grande parte dos alunos desses cursos diz explicitamente que a sala de aula não é a sua opção. E um dos motivos mais apontados é a informação sobre o elevado índice de abandono da profissão, isto é, professores experientes que se afastam por adoecimento ou por não suportarem mais ser vítimas de violência física e/ou simbólica no cotidiano da sala de aula.
Internamente, a Universidade tem enfrentado o problema com ações como o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid), que concede bolsas de estudos e um trabalho de formação diferenciada para alunos dos cursos de licenciatura. Contudo, se não forem modificadas as condições gerais da docência, para fazer dela uma carreira atraente, simplesmente não teremos professores para atuarem na universalização da educação básica. 

* Professor de Sociologia da Educação na FeE/UFMG, coordenador do Colegiado Especial de Licenciatura e do Grupo de Pesquisa sobre Formação de Professores e Condição Docente

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Em favor do PISO e da Carreira do profissional em educação.

O desGovernador Anastasia enviou para a Assembleia Legislativa um projeto de Lei que fixa em R$ 712,00 o Piso da Educação INDEPENDENTE DA FORMAÇÃO E TEMPO DE SERVIÇO, querendo claramente extinguir o plano de carreira da Educação que só foi assinado em 2004.
Abaixo está a lista de emails dos deputados estaduais mineiros. Solicite rapidamente ao seu deputado que rejeite esta tentativa de acabar com o plano de carreira da Educação mineira. Seja um cidadão em favor da Educação.

<dep.adalclever.lopes@almg.gov.br>, <dep.adelmo.carneiro.leao@almg.gov.br>, <dep.alencar.silveira.junior@almg.gov.br>, <dep.almir.paraca@almg.gov.br>, <dep.ana.maria@almg.gov.br>, <dep.andre.quintao@almg.gov.br>, <dep.anselmo.jose.domingos@almg.gov.br>, <dep.antonio.carlos.arantes@almg.gov.br>, <dep.antonio.genaro@almg.gov.br>, <dep.antonio.julio@almg.gov.br>, <dep.antonio.lerin@almg.gov.br>, <dep.arlen.santiago@almg.gov.br>, <dep.bonifacio.mourao@almg.gov.br>, <dep.bosco@almg.gov.br>, <dep.bruno.siqueira@almg.gov.br>, <dep.carlin.moura@almg.gov.br>, <dep.carlos.henrique@almg.gov.br>, <dep.carlos.mosconi@almg.gov.br>, <dep.cassio.soares@almg.gov.br>, <dep.celinho.do.sinttrocel@almg.gov.br>, <dep.celio.moreira@almg.gov.br>, <dep.dalmo.ribeiro.silva@almg.gov.br>, <dep.deiro.marra@almg.gov.br>, <dep.delio.malheiros@almg.gov.br>, <dep.delvito.alves@almg.gov.br>, <dep.dilzon.melo@almg.gov.br>, <dep.dinis.pinheiro@almg.gov.br>, <dep.doutor.viana@almg.gov.br>, <dep.doutor.wilson.batista@almg.gov.br>, <dep.duarte.bechir@almg.gov.br>, <dep.duilio.de.castro@almg.gov.br>, <dep.durval.angelo@almg.gov.br>, <dep.elismar.prado@almg.gov.br>, <dep.fabiano.tolentino@almg.gov.br>, <dep.fabio.cherem@almg.gov.br>, <dep.fred.costa@almg.gov.br>, <dep.gilberto.abramo@almg.gov.br>, <dep.gustavo.correa@almg.gov.br>, <dep.gustavo.perrella@almg.gov.br>, <dep.gustavo.valadares@almg.gov.br>, <dep.helio.gomes@almg.gov.br>, <dep.hely.tarquinio@almg.gov.br>, <dep.inacio.franco@almg.gov.br>, <dep.ivair.nogueira@almg.gov.br>, <dep.jayro.lessa@almg.gov.br>, <dep.joao.leite@almg.gov.br>, <dep.joao.vitor.xavier@almg.gov.br>, <dep.jose.henrique@almg.gov.br>, <dep.juninho.araujo@almg.gov.br>, <dep.leonardo.moreira@almg.gov.br>, <dep.liza.prado@almg.gov.br>, <dep.luiz.carlos.miranda@almg.gov.br>, <dep.luiz.henrique@almg.gov.br>, <dep.luiz.humberto@almg.gov.br>, <dep.luzia.ferreira@almg.gov.br>, <dep.maria.tereza.lara@almg.gov.br>, <dep.marques.abreu@almg.gov.br>, <dep.mauri.torres@almg.gov.br>, <dep.neider.moreira@almg.gov.br>, <dep.neilando.pimenta@almg.gov.br>, <dep.paulo.guedes@almg.gov.br>, <dep.paulo.lamac@almg.gov.br>, <dep.pompilio.canavez@almg.gov.br>, <dep.rogerio.correia@almg.gov.br>, <dep.romel.anizio@almg.gov.br>, <dep.romulo.veneroso@almg.gov.br>, <dep.romulo.viegas@almg.gov.br>, <dep.rosangela.reis@almg.gov.br>, <dep.sargento.rodrigues@almg.gov.br>, <dep.savio.souza.cruz@almg.gov.br>, <dep.sebastiao.costa@almg.gov.br>, <dep.tadeu.martins.leite@almg.gov.br>, <dep.tenente.lucio@almg.gov.br>, <dep.tiago.ulisses@almg.gov.br>, <dep.ulysses.gomes@almg.gov.br>, <dep.vanderlei.miranda@almg.gov.br>, <dep.ze.maia@almg.gov.br>

Greve dos professores de Minas: marco histórico.

Greve dos professores de Minas: marco histórico.
Gilvander Moreira[1]

Vejam o salário dos trabalhadores que fizeram a colheita nos campos de vocês: retido por vocês, esse salário clama, e os protestos dos trabalhadores chegaram aos ouvidos do Deus da vida… Vocês condenaram e mataram o justo.” (Carta de Tiago 5,4.6).
Dia 31 de agosto de 2011, acompanhei mais uma grande Assembleia Geral das/os Professoras/res da Rede Estadual de Educação do Estado de Minas Gerais, que estão em greve, desde o dia 08 de junho, há quase 90 dias.
Foi emocionante e inesquecível e ao mesmo tempo provocou profunda indignação.. Mais de 9 mil educadores e centenas de trabalhadores de várias outras categorias, representantes de muitos sindicatos e movimentos populares transformaram a ante-Praça da Assembleia Legislativa de Minas em palco de luta. Mais quantos dias de greve serão necessários para que o Governador de Minas, Sr. Antonio Anastasia (PSDB + DEM), ouça os clamores dos educadores da Rede pública de Educação? Os clamores já estão sendo ouvidos em todo o Brasil, pelo mundo afora e chegou aos céus.
Somente após 84 dias de greve, o Governo Anastasia apresentou proposta de elevar o Piso salarial de R$369,89 para R$712, a partir de janeiro de 2012, desconsiderando o tempo de carreira e o grau de escolaridade. Os professores rejeitaram essa proposta e votaram, por unanimidade, a continuidade da greve por tempo indeterminado. A direção do Sind-UTE[2] disse: “A proposta nada mais é que o achatamento da carreira, não está aplicada a tabela de vencimento básico vigente e ela contemplaria apenas o professor, excluiria outras categorias de educadores. O Governo não apresentou proposta para os cargos de suporte à docência e por isso, também não cumpre a Lei Federal 11.738/08 que prescreve Piso Salarial Nacional.”
Em 2011, em educação pública, o Brasil ficou em 88º lugar, no ranking de educação da UNESCO. Há sete anos professora, a pedagoga Alzira de Sete Lagoas, mostrando seu contracheque com vencimento básico de apenas R$369,89 bradou: “Só retornarei para a sala de aula após o governador Anastasia começar a pagar o Piso Salarial Nacional, instituído pela Lei Federal 11.738/2008”. Os milhares de educadores, em Assembleia, gritaram: “É greve, é greve, é greve, até que o Anastasia pague o que nos deve” – o Piso Nacional, hoje, segundo o Ministério da Educação é R$ 1.187,00. Em 06 de abril de 2011, o STF[3], na ADIN 4167, definiu que piso é o vencimento básico. Acórdão sobre essa decisão do STF foi publicado em 24/08/2011, o que legitimou mais ainda a greve e as reivindicações dos educadores.
O governo estadual de Minas Gerais teve três anos para adequar o orçamento à exigência da Lei Federal 11.738, mas, na contramão do que reivindicam os professores, insiste em não pagar o piso salarial nacional e tenta justificar o injustificável. Os professores não aceitam mais subsídio, porque isso significa a morte da carreira. Logo, o governo estadual age na ilegalidade, com atuação imoral. Relatório técnico do Tribunal de Contas do Estado comprovou que o Governo de Minas não investe o percentual constitucional de 25%[4] em educação pública. Em 2009, por exemplo, o investimento foi de apenas 20,15%.
De acordo com a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação – CNTE – o Piso Salarial Nacional para 24 horas semanais deveria corresponder, hoje, a R$1.597,87, pois a Lei 11.738 estabelece reajustes anuais para o piso. Como o valor do piso em 2008 era de R$950,00, aplicados os reajustes de 2009, 2010 e 2011, o piso hoje teria que ser R$1.597,87. Contudo, em 2009, o Governo Federal não concedeu o reajuste.
No levantamento elaborado pelo Sindifisco-MG[5] para avaliar o investimento dos Estados brasileiros com a educação em relação à Receita Corrente Líquida de cada Estado, Minas Gerais é o penúltimo colocado. Há um déficit em Minas Gerais de 1 milhão e meio de vagas na educação básica. A preocupação que o Governo diz ter com o ENEM não é sincera pelos seguintes motivos: a) o Governo estadual não oferece aos estudantes toda a matriz curricular do ensino médio; b) autorizou a contratação de pessoas sem formação em magistério e licenciatura para ser professor; c) não cumpre a Lei Federal 11.738, o que poria fim à greve.
Um processo de empobrecimento dos educadores da rede pública em Minas se aprofundou desde que o Aécio Neves assumiu o governo. O tão badalado “Choque de Gestão” – que está na terceira fase -, uma política neoliberal que marginaliza os trabalhadores da educação, os servidores públicos e toda a sociedade.
Em Minas, o vencimento básico hoje de um professor de nível médio é de R$ 369 e  professor/a que tem licenciatura plena é R$ 550. Logo, o governo de Minas Gerais paga como vencimento básico quase só o salário mínimo para professor/a tem um curso universitário. Alegar que o Estado não tem condições de pagar o Piso nacional não justifica pelo seguinte: a) O vencimento básico da polícia civil é R$2.041,00; b) Minério, celulose, café e muitos outros produtos primários são exportados com isenção de impostos (Lei Kandir); c) Há dinheiro para grandes obras “como a COPA”, construção da Cidade Administrativa, aumento exorbitante do aparelho de repressão – grandes penitenciárias, milhares de policiais, milhares de viaturas etc.
Assino embaixo do que disse Leonardo Boff, em mensagem aos professores: “Estou estarrecido face à insensibilidade do Governador Anastasia face a uma greve dos professores e professoras por tanto tempo. Ele não ama as crianças, não respeita seus pais, despreza uma classe de trabalhadores e trabalhadoras das mais dignas da sociedade.” Acrescento: Ele não respeita a sociedade que diz representar. Somente as/os trabalhadoras/os que lutam pelos seus direitos tem dignidade para ensinar cidadania.
Que beleza o apoio de Dom Tomás Balduíno aos professores, ao dizer: “Orgulho-me pela greve de vocês. Vejo neste acontecimento um dos esperançosos sinais dos tempos, semelhante ao que está acontecendo no Chile. Vocês, com seu sofrimento e angústia, estão sendo os instrumentos de Deus na construção do Brasil que queremos, a Pátria dos nossos sonhos. Por isso uno-me solidário com vocês e com todos e todas que lhes dão apoio.”
Com Cora Coralina, digo: “Propõe-se a ensinar aquele que é bom de espírito, aquele que se orgulha quando o aluno o supera. Aquele que, cotidianamente, motiva o aluno, sem esquecer-se de que um dia o foi… É aquele que, “Feliz, transfere o que sabe e aprende o que ensina.” Vejo isso nos professores que estão em greve em Minas e em muitos outros estados.
Essa greve, a mais longa da história de Minas, será um marco histórico na luta pela educação pública e de qualidade, em Minas. Que cada professor/a desenvolva pedagogias que ajudem na compreensão da vida concreta, isto é, a matemática da fome, o português da violência, a geografia e a história da exploração e dos problemas sociais, a ciência da história da vida real das pessoas.
A greve das/os professoras/res de Minas Gerais está sendo uma verdadeira escola libertadora. Quem disse que as/os professoras/es não estão ensinando? As/os educadoras/res estão nas ruas, ensinando uma verdadeira lição de cidadania, de quem não se deixa oprimir, de quem busca na luta, dignidade e justiça social pelo valor à educação, um dos maiores patrimônios que o Estado tem a obrigação de cuidar.
Atenção, Anastasia, a greve só será interrompida quando a justa, legal e legítima reivindicação da categoria for atendida: o Piso Salarial Nacional, um valor pífio e insignificante.
Enfim, benditas/os as/os educadoras/os e todos os que apoiam a luta pela educação pública e de qualidade e, assim, lutam pela transformação da sociedade.
Belo Horizonte, 04 de setembro de 2011

[1] Mestre em Exegese Bíblica, professor, frei e padre carmelita, assessor da CPT, CEBI, SAB e Via Campesina; e-mail: Este endereço de e-mail está protegido contra SpamBots. Você precisa ter o JavaScript habilitado para vê-lo. – www.gilvander.org.brwww.twitter.com/gilvanderluis
[2] Sindicato Único dos Trabalhadores da Educação de Minas Gerais.
[3] Supremo Tribunal Federal.
[4] Cf. Constituição Federal, art. 212.
[5] Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Estadual de Minas Gerais.

Reproduzido de: http://www.ecodebate.com.br/2011/09/05/greve-dos-professores-de-minas-marco-historico-artigo-de-gilvander-moreira

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Governo convoca designados a voltarem às salas de aula: Desespero. Pague o PISO e tudo se resolve.

               O Governo de Minas convocou, em forma de apelo, aos designados que voltem as salas de aula. Ora, quem são os designados? Não são professores que sabem que se voltarem atrás serão massacrados como os de carreira? Os professores designados são em sua maioria PROFESSORES!
              O Estado não faz concurso para manter a classe dos professores e o sindicato enfraquecidos. Para isso sempre utilizou-se dos designados. O concurso deste ano, cheio de problemas, foi arrancado as custas de dois anos de greve (a greve de 2010 e a deste ano). Mas o limite já chegou! Ninguém meu amigo, repito, ninguém quer ser professor não! Ganhar pouco por muito trabalho, possuindo um curso superior? Jamais! Os que restaram na profissão são bravos guerreiros. E eles figuram entre os designados que não retrocederão senão com a vitória. Aqueles que não são professores mesmo, e ainda não desistiram, já vão desfalecendo durante a greve. Que se desespere o Desgovernador do Estado com seu bando. Pois não retrocederemos.
Já percebeu os títulos do concurso do Estado de Minas Gerais para os Professores? Tem bonificação de pontuação por tempo de serviço de até 10 anos! Isso mesmo. Sabemos que existem servidores designados com mais de 10 anos de licenciatura.
                  Faça sua leitura do final da convocação feita pelo Estado?  Eu li assim: "Nós te pagamos mais com o subisídio (vulgo suicídio)". Mas não diz: "Estamos com o subsídio, cortando sua gratificação de insalubridade, seu biênio, seu quinquênio, sua pós, e você sem PISO, está sem salário base, e TODAS as gratificações rcebidas são calculadas com base em um salário, um vencimento básico que você NÃO TERÁ MAIS."
                 Nos lembraremos muito bem do legado do Senador Aécio e seu apadrinhado Anastasia
                A convocação está abaixo:
Convocação aos professores designados:

“A Secretaria de Estado de Educação vem a público convocar os profissionais da rede estadual de ensino e, especialmente, aqueles cujo ingresso tenha ocorrido mediante designação, a retornarem imediatamente ao exercício de suas funções. Esclarece que o ato de designação representa medida excepcional e precária e o não comparecimento do servidor que se encontre nessa situação constitui falta injustificada que não se compatibiliza com a natureza, finalidade e os motivos da própria designação.

A greve vem causando prejuízos irrecuperáveis aos alunos da rede estadual de ensino, especialmente àqueles em fase de conclusão do ensino médio, tendo em vista a realização do ENEM, em outubro, e sua utilização nos vestibulares e no PROUNI, fatos que já obrigaram esta Secretaria a adotar medidas excepcionais na tentativa de contornar o problema.

Da mesma forma a greve vem causando transtornos às famílias desses alunos e à própria sociedade, não subsistindo motivos para que os professores não retornem à sala de aula. Especialmente em relação aos professores designados, não há dualidade de sistemática remuneratória, havendo pagamento único mediante subsídio, cujo valor indiscutivelmente supera o do piso estabelecido pela legislação nacional.”

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Faça valer a Lei em favor da educação exigindo isso dos deputados de Minas Gerais

          Nós temos um problema sério no estado de Minas Gerais. Aqui em Minas, os problemas da educação como a desvalorização dos professores é tratada pela imprensa como problema de trânsito. Assim: "...hoje terá manifestação dos professores, então evitem o centro e as avenidas..." É naquele jornalzinho que você assiste na hora do almoço ou naquele que você compra na padaria...
         Os professores exigem um PISO salarial que foi determinado desde 2008 e até hoje não foi cumprido. Um PISO, um mínimo, para que seu filho(a) tenha boa educação, tenha um professor que possa dar atenção para ele(s). A educação em Minas Gerais hoje quer um PISO DE SALÁRIO, UM PISO DE CONDIÇÕES, UM PISO DE INVESTIMENTO!
         Ajude este estado e esta nação a chegar ao futuro que queremos. Esta é a lista de email dos deputados estaduais de Minas. Exija de seu(s) deputado(s) a rejeição do Projeto de Lei do estado que IMPÕE o subsídio como remuneração na educação CONTRARIANDO as proposições do STF E NÃO PAGA O PISO SALARIAL AOS PROFESSORES.

Se quiser entender mais:
http://istoeumaconversa.blogspot.com/2011/08/entenda-situacao-dos-professores-em.html

<dep.adalclever.lopes@almg.gov.br>, <dep.adelmo.carneiro.leao@almg.gov.br>, <dep.alencar.silveira.junior@almg.gov.br>, <dep.almir.paraca@almg.gov.br>, <dep.ana.maria@almg.gov.br>, <dep.andre.quintao@almg.gov.br>, <dep.anselmo.jose.domingos@almg.gov.br>, <dep.antonio.carlos.arantes@almg.gov.br>, <dep.antonio.genaro@almg.gov.br>, <dep.antonio.julio@almg.gov.br>, <dep.antonio.lerin@almg.gov.br>, <dep.arlen.santiago@almg.gov.br>, <dep.bonifacio.mourao@almg.gov.br>, <dep.bosco@almg.gov.br>, <dep.bruno.siqueira@almg.gov.br>, <dep.carlin.moura@almg.gov.br>, <dep.carlos.henrique@almg.gov.br>, <dep.carlos.mosconi@almg.gov.br>, <dep.cassio.soares@almg.gov.br>, <dep.celinho.do.sinttrocel@almg.gov.br>, <dep.celio.moreira@almg.gov.br>, <dep.dalmo.ribeiro.silva@almg.gov.br>, <dep.deiro.marra@almg.gov.br>, <dep.delio.malheiros@almg.gov.br>, <dep.delvito.alves@almg.gov.br>, <dep.dilzon.melo@almg.gov.br>, <dep.dinis.pinheiro@almg.gov.br>, <dep.doutor.viana@almg.gov.br>, <dep.doutor.wilson.batista@almg.gov.br>, <dep.duarte.bechir@almg.gov.br>, <dep.duilio.de.castro@almg.gov.br>, <dep.durval.angelo@almg.gov.br>, <dep.elismar.prado@almg.gov.br>, <dep.fabiano.tolentino@almg.gov.br>, <dep.fabio.cherem@almg.gov.br>, <dep.fred.costa@almg.gov.br>, <dep.gilberto.abramo@almg.gov.br>, <dep.gustavo.correa@almg.gov.br>, <dep.gustavo.perrella@almg.gov.br>, <dep.gustavo.valadares@almg.gov.br>, <dep.helio.gomes@almg.gov.br>, <dep.hely.tarquinio@almg.gov.br>, <dep.inacio.franco@almg.gov.br>, <dep.ivair.nogueira@almg.gov.br>, <dep.jayro.lessa@almg.gov.br>, <dep.joao.leite@almg.gov.br>, <dep.joao.vitor.xavier@almg.gov.br>, <dep.jose.henrique@almg.gov.br>, <dep.juninho.araujo@almg.gov.br>, <dep.leonardo.moreira@almg.gov.br>, <dep.liza.prado@almg.gov.br>, <dep.luiz.carlos.miranda@almg.gov.br>, <dep.luiz.henrique@almg.gov.br>, <dep.luiz.humberto@almg.gov.br>, <dep.luzia.ferreira@almg.gov.br>, <dep.maria.tereza.lara@almg.gov.br>, <dep.marques.abreu@almg.gov.br>, <dep.mauri.torres@almg.gov.br>, <dep.neider.moreira@almg.gov.br>, <dep.neilando.pimenta@almg.gov.br>, <dep.paulo.guedes@almg.gov.br>, <dep.paulo.lamac@almg.gov.br>, <dep.pompilio.canavez@almg.gov.br>, <dep.rogerio.correia@almg.gov.br>, <dep.romel.anizio@almg.gov.br>, <dep.romulo.veneroso@almg.gov.br>, <dep.romulo.viegas@almg.gov.br>, <dep.rosangela.reis@almg.gov.br>, <dep.sargento.rodrigues@almg.gov.br>, <dep.savio.souza.cruz@almg.gov.br>, <dep.sebastiao.costa@almg.gov.br>, <dep.tadeu.martins.leite@almg.gov.br>, <dep.tenente.lucio@almg.gov.br>, <dep.tiago.ulisses@almg.gov.br>, <dep.ulysses.gomes@almg.gov.br>, <dep.vanderlei.miranda@almg.gov.br>, <dep.ze.maia@almg.gov.br>

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

ENTENDA A SITUAÇÃO DOS PROFESSORES EM MINAS GERAIS


Este artigo é quase um manifesto e denuncia o quadro de autoritarismo existente em Minas Gerais assim solicito a todos, que concordarem com seu teor, a reprodução.


Muita gente com responsabilidade política ainda não entendeu, ou finge que não entendeu, a situação funcional dos professores públicos do Brasil. Em Minas Gerais esta situação torna-se ainda mais grave quando observamos a insistente disposição do governador Antônio Anastásia em desrespeitar a Constituição.
Antes de comentar o deboche às instituições promovido por Antônio Anastasia vamos primeiro entender o quadro de Minas Gerais.
A Constituição de 1988 em seu artigo 205, inciso VIII do Capítulo III determinou como forma de remuneração da educação um “piso salarial profissional nacional para os profissionais da educação escolar pública, nos termos da lei federal”.
A Lei Federal, prevista para regulamentar o salário dos professores públicos , foi promulgada com o número 11738 em 16 de julho de 2008. Nesta lei ficou estabelecido, dentre outros aspectos, o PISO NACIONAL DOS PROFESSORES.
Durante 3 anos a Lei 11738 ficou aguardando a sua aplicação plena tendo em vista um pedido de inconstitucionalidade existente no Supremo Tribunal Federal através da ADin 4167. Em abril deste ano o STF julgou constitucional, em sua totalidade, a Lei do Piso publicando sua decisão no último dia 24 de agosto.
Durante o período de transição entre o julgamento da ADin e a publicação do acórdão os governadores e prefeitos aproveitaram para criar mecanismos lesivos aos professores e trataram de retirar dos contra-cheques as vantagens destes profissionais.
Em Minas Gerais, a partir de janeiro de 2011, foi estabelecido o pagamento na forma de subsídio fruto de uma lei inconstitucional, de autoria do Executivo Estadual, aprovada a toque de caixa na Assembléia Legislativa. O governo de Minas Gerais aproveitando-se de um debate quanto ao significado do termo PISO SALARIAL definiu este como remuneração global e bastou isso para os deputados aprovarem a Lei que retirou direitos dos professores.
A mesma falácia, definir piso como remuneração global, serviu de base para o governo de Minas alegar o pagamento de 57% acima do determinado na Lei 11738.
Esta farsa caiu no último dia 24 de agosto quando o Diário do Judiciário publicou o acórdão relativo a ADin 4167 esclarecendo o seguinte: “É CONSTITUCIONAL A  NORMA GERAL QUE FIXOU O PISO DOS PROFESSORES DO ENSINO MÉDIO COM BASE NO VENCIMENTO, E NÃO NA REMUNERAÇÃO GLOBAL” .Evidente a Constituição (artigo 205, inciso VIII do Capítulo III) remeteu esta matéria para a legislação infraconstitucional garantindo a Lei 11738 este direito aos trabalhadores da educação.
Apenas para relembrar:
a)      A Constituição determinou a elaboração de uma lei para definir a forma de pagamento dos professores públicos;
b)      Esta Lei foi promulgada em 16 de julho de 2008 e estabelecia, inclusive, o piso salarial nacional a ser somado as vantagens do professor;
c)      Alguns governadores argüiram a inconstitucionalidade da Lei através da ADin 4167;
d)      Em abril de 2011 o STF negou o pedido dos governadores e determinou o pagamento do piso conforme previsto em lei.
e)      O governo de Minas Gerais, aproveitando-se da ADin 4167, tratou de cassar os direitos dos professores estabelecendo, a partir de janeiro de 2011, o pagamento de um valor sem as vantagens (tempo de serviço, escolaridade, biênio, qüinqüênio, etc.)

Retomando a questão do governo de Minas; hoje (29 de agosto) o governador Anastasia em pronunciamento na Cidade Administrativa afirmou que o subsídio é constitucional insistindo na tese do piso como valor global.
            Antônio Anastasia cujo curriculum por ele divulgado aponta a sua condição de professor da Faculdade de Direito da UFMG não pode ter cometido, durante o citado pronunciamento, apenas um equivoco. ANASTASIA MENTIU e sabe disso.
            Temos neste instante, sem sombra de duvidas, uma crise institucional e os professores de Minas Gerais não podem recuar. Ficam agora os poderes com a obrigação da retomada da ordem e do Estado Democrático de Direito. Não se trata neste momento de preferências partidárias. O governo de Minas quebrou os laços federativos, e vive a margem da lei e a mobilização da sociedade civil organizada é vital para manter a normalidade.
            O governo federal não pode permanecer em silêncio, da mesma forma o Judiciário e o Ministério Público devem um pronunciamento diante deste escândalo. Aos parlamentares suplico a troca do debate partidarizado pela ação em defesa das instituições e a imprensa que recupere com urgência a sua função de intermediar este conflito. A situação em Minas é grave. 

Reproduzido de: http://grevepromg.blogspot.com/2011/08/entenda-situacao-dos-professores-em.html